O rolezinho do preconceito

17 janeiro 2014
Imagino que já seja do conhecimento de todo mundo hoje o tal do "rolezinho". Pelas redes sociais centenas de jovens têm combinado de ir em shopping próximos de suas comunidades, para “zoar, dar uns beijos, rolar umas paqueras” ou “tumultuar, pegar geral, se divertir, sem roubos”.
A TV, e a mídia em geral, mostrou tumulto e até roubos em alguns casos? Sim, mostrou. Em todos eles? Te garanto que não. Muitas vezes levaram jovens presos e tiveram de soltar em seguida, exatamente por não ter nenhuma acusação. Lembrando rapidinho antes de continuar que isso é minha opinião e qualquer um tem o direito de discordar, só peço que pense um pouquinho antes de sair julgando por aí.
É um pouco difícil entender completamente uma situação quando não somos nós que passamos por ela, mas não custa tentar entender. Imagine essas centenas, ou milhares, de jovens sem uma opção de lazer por perto, imaginem esses jovens tentando ir vez ou outra ao shopping e sendo seguidos por seguranças, sendo olhados torto pela maioria e coisas do tipo.
A frase dita por Jefferson Luís, organizador do rolezinho do shopping Internacional de Guarulhos, em uma entrevista para o jornal O Globo resume muita coisa: “Não seria um protesto, seria uma resposta à opressão. Não dá para ficar em casa trancado”. Eles, ou pelo menos sua maioria, só queriam se divertir, zoar e sair de casa. Mas acabou virando algo maior que aí sim: é pra chocar e sacudir a galera. Jovens serem presos e/ou impedidos de entrar em um local quando estão desarmados e não cometeram nenhum crime. Qual é a desculpa? A aparência de quem rouba, usa droga ou coisas do tipo? Sem provas... ah sim, vamos julgar, agir com violência e depois a gente vê se existe algo errado. E se não existir, tudo bem, estamos só prevenindo a violência... agindo com violência e preconceito.
Shopping Internacional Guarulhos, Foto: Robson Ventura / Folhapress
Não vou ser hipócrita e dizer que não me assustaria se estivesse em um shopping onde umas 6 mil pessoas entrariam de uma só vez e logo atrás deles seguranças e policiais (o que aconteceu uma vez, no shopping Metrô Itaquera, no começo de Dezembro). Mas uma vez vendo que não aconteceria nada demais... pra que reprimir e expulsar? O crime que os "vândalos" estão cometendo é simplesmente querer fazer parte de uma realidade que todo o mundo insiste em dizer que é pra todos
Os shopping, por serem considerados espaços privados, podem proibir sim esse tipo de encontro mas o curioso nessa questão é que querem proibir e censurar apenas os jovens pobres, da periferia, que escutam funk e etc. É escolher a dedo quem entra, com base na sua aparência. O que, não sei pra vocês mas, pra mim é a mesma coisa que descriminar.
Em vista de tudo isso, porque não promover shows, exposições, e qualquer evento relacionado a cultura, lazer e até ao esporte? Isso tudo é só mais uma manifestação que comprova o quanto São Paulo é carente de espaços e eventos em que todas as pessoas possam ir.Tá na hora de dar uma atenção para esses ingressos para teatro, shows, museus com preços absurdos, de locais pro lazer apenas em grandes centros. Toda essa confusão é só mais um grito da cidade, um pedido pra que acordem e percebam que não adianta priorizar apenas uns.

12 comentários

  1. Verdade. Sem contar que todos são livros!
    Amei conhecer teu blog!
    Beijo!

    minhassingularidades.blogspot.com.br

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  2. Oi Jéssica!
    Concordo com você em tése. A mídia se aproveita muito da situação pra fazer um caos de tudo. E eles tem toda razão em responder à eles dessa forma. Creio que há um pouco de verdade em cada parte... mas quer saber? Essa história de rolêzinho já tá dando no saco! Melhor eles se ajeitarem da melhor forma e a galera não sair se iludindo com o que houve por aí.
    Beijo!

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    1. Concordo em partes com você também. Também acho que já deu e que precisam pensar em uma forma diferente de se divertir e etc, especialmente por aqueles que se aproveitam pra fazer baderna, roubar e etc. Eu só quis dizer que acho muito errado a forma que responderam a eles, entendeu?

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  3. Oi Jéssica, concordo totalmente
    como historiadora sei da capacidade que os espaços tem de segregar. Em minha monografia de graduação pesquisei como vários espaços públicos, como praças e os atuais jardins botânicos e também privados, principalmente o cinema segregavam a população mais pobre com a desculpa de que eles não possuíam comportamento adequado a esses lugares.

    No Brasil "ninguém" é racista ou preconceituoso, até precisar mostrar que é.

    bjs

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    1. Nossa, disse tudo. Todo mundo sempre prega que não tem preconceito até quando mexem com eles, né. São situações complicadas mas sou daquelas que acha que tem que tentar achar uma forma de resolver e não de reprimir. Já não basta isso de passar a vida mostrando coisas aos mais pobres e depois dizendo: mas isso não serve pra você.

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  4. minha pesquisa se concentrou nas décadas de 1900 até 1930.

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  5. Olá, tudo bem?
    Acho que você está certa, devemos nós colocar nos lugares das pessoas. Ok, que todo lugar tem pessoas que vai por má fé, mais a maioria pode está lá apenas para se divertir, como você mesmo disse, paquera ou enfim... É o brasil que vivemos, tem preconceito para tudo referente ao pessoal de classe média.

    adorei conhecer seu blog.
    beijos,
    @maahmusic
    http://instagram.com/maah_music

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  6. Menina eu ouvi falar desses rolezinhos e não entendi muito bem. Mas pelo que pude entender de acordo com o que você escreveu, as pessoas se reunem com a melhor das intenções, só que sabemos bem que muitas vezes vão pessoas mal intencionadas para esses "rolés" e no final, tudo acaba em ruindade.
    É normal o pessoal ter esse tipo de preconceito com os menos 'aparentados' mesmo, até eu tenho medo as vezes confesso. Mas se há algo de bom, não vejo mal algum em haver esses encontros.
    Valeu a pena esperar
    ------------------------------------------------------------------------------------------------
    CRIAÇÃO DE CARTÕES DE VISITA ♡ MÍDIA KIT ♡ LAYOUT BLOGSPOT ♡ LOGOTIPO ♡ ILUSTRAÇÕES PERSONALIZADAS ♡ BANNERS PARA BLOG.
    blogvaleuapenaesperar@hotmail.com

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    1. Sim, exatamente! A intenção era genuína mas sempre tem o que se aproveitam. Não defendo os rolezinhos, apenas acho muito feio e preconceituoso querer banir essas pessoas do shopping. E concordo, as vezes também tenho medo e simplesmente pela aparência das pessoas... mas ainda assim, "inocente até que se prove o contrário" né?!

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  7. As vezes esses rolezinhos acabam virando vandalismo da parte de alguns !
    Conheça:

    coisasuteisoufuteis.blogspot.com.br

    Vou adorar te retribuir, bjs !

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  8. Esse assunto tá rendendo, né? Eu acho esses 'rolezinhos' encontros super normais, só não concordo com o pessoal se reunindo nos shoppings. Não porque "ai shopping é pra rico", nada disso. Sou pobre e frequento shopping hauahau mas porque se eu estivesse numa praça de alimentação e visse dezenas de pessoas chegando, causando tumulto, mesmo que sem maldade, ficaria com medo sim! São dezenas de pessoas que podem fazer o que quiserem com quem está lá, por serem maioria. Nem todos vão com má intenção, mas sempre tem um pra ferrar tudo...

    www.pedrasnajanela.com

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    1. Sim sim, eu concordo com você! Mas aí deveriam achar uma solução né... ao invés de falar "não, você não poe entrar aqui pela sua aparência" porque sei lá,ao meu ver foi isso o que aconteceu.

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Jéssica Bellisoni | Base por Michelly Melo .