Por essas e outras...

13 agosto 2017 Nenhum comentário
(Meu teclado nao tem acento. Toda vez que preciso escrever algo importamte, como agora, pego as letras com acento na internet e fico usando ctrl+c e ctrl+v. Estou com preguica dessa vez, e eh por isso usarei "acentos" da internet algumas vezes como este que acabei de usar.)

Essa semana fez 1 ano que cheguei no Canada. Nesses ultimos 365 dias, tanta coisa aconteceu aqui e no Brasil. Mas nao posso reclamar da vida que tinha la, apenas de la.

E nao faltam motivos pra me lembrar o motivo que me fez querer sair de la mesmo querendo ficar. Sim, mesmo querendo ficar.

Nao entrarei em todos os detalhes daqui e de la, pq daria um blog so disso. Mas, resumidamente, queria expressar que nao eh facil deixar pra tras familiares e amigos que so querem o seu bem e estiveram ao seu lado desde sempre.

Michel Temer, atual presidente do Brasil, com seus ministros. Dos 24 ministros de Temer, 15 sao investigados ou citados por problemas na Justica.
Largar tudo e arriscar em um pais onde voce nao conhece ninguem requer muito mais que coragem. E nao eh so o fato de encarar o novo. Eh encarar o novo sabendo que, por mais que voce se esforce, dificilmente voce se expressara tao bem quanto faria em sua lingua natal.

Ainda assim, isso nao e nada perto da tristeza de ver o Brasil afundar aos poucos. E nao eh papo de patriotismo (pq to cagando pra isso), eh saber que muitas dessas pessoas que fazem falta no meu dia a dia, seriam muito mais felizes se vivessem em um lugar mais justo e com mais oportunidades, digamos assim.

Justin Trudeau, atual primeiro ministro do Canada, com seus ministros. Dos 30 ministros de Trudeau, 15 sao mulheres "pq e 2015".
E, atras desse "mundo mais justo", me encontrei aqui. Sei que esta longe de ser um lugar perfeito (como qualquer outra parte do mundo), mas eh impossivel negar que alguns lugares aprenderam com o passado e evoluiram muito melhor coletivamente.

Joca O.

Cuidar de nós mesmos

19 junho 2017 Nenhum comentário
Fiquei com saudade de escrever. Nem sei direto porque parei, mas percebi que os blogs estão sumindo cada vez mais, mas que não tem nenhum outro espaço pra colocar as ideias pra fora como aqui. Daí voltei.

Vez ou outra eu acabo tendo uma crise interna. Quase nunca sei o porquê e quase nunca sei o que fazer. É uma vontade de fazer mais, um descontentamento comigo mesma, uma mistura de tudo um pouco. A energia é tão pesada que acaba refletindo até no físico. E se já não fosse confuso o suficiente, ainda me sinto mal porque sei que isso tudo só depende de mim mesma pra passar.

O lado bom da coisa, é que é nessas horas que começo a me cuidar mais. Me alimentar melhor, ir puxar assunto com os amigos que o dia-a-dia insiste em tentar distanciar, volto a me arriscar na yoga...


Independente de onde estamos ou do que estamos sentindo, a gente tem que estar bem com a gente mesmo, né? E apesar de óbvio, as vezes falta lembrar que pra isso a gente tem que cuidar de nós mesmos.

Então pra esse comecinho de semana: que a gente se cuide. Se arrume, ou dessarume. Saia pra jantar ou fique no Netflix.
Mas que seja bom e que seja pra gente.

Princesas Disney e o feminismo

15 novembro 2016 1 Comentário
Já falei muitas vezes o quanto sou apaixonada pela Disney e nos últimos anos, com o crescimento do feminismo e do empoderamento das mulheres comecei a ver muita coisa contra a Disney e especialmente contra suas princesas. Muitas vezes até vi comentários sobre garotas que gostam de heróis serem mais legais e duronas do que as que gostam de princesas. 

Na minha opinião, isso chega a ser uma forma de opressão diferente. Também acho esse um assunto tão mais profundo do que fazem parecer que nunca tinha escrito sobre por não saber bem como começar. Mas tenho dois pontos que quero levantar sobre a discussão: 
  1. Vivemos sim em uma sociedade construída e machista e mesmo quem busque se desconstruir, tudo a nossa volta está atolado de machismo. Um exemplo: a maquiagem veio pra, entre tantos motivos, esconder as imperfeições das mulheres e torna-las mais atraentes para os homens. Mas entre nós, mulheres dos dias atuais, não somos várias que amam se maquiar? Que se sentem bem dessa forma? Algo que veio do machismo mas que hoje ajuda a libertar: usa quem quer, como quer e onde quer. 
  2. Ver o lado bom das coisas pode ser melhor do que ver só o lado negativo. Ainda sobre a maquiagem: ela também pode ser um grande problema para os dias atuais porque muitas mulheres ainda se sentem escravas dos produtos. Usam, pra tentar entrar num padrão que nos é imposto e não porque realmente se sentem bem daquela forma. É uma via de mão dupla, como quase tudo na vida, e mesmo com seus pontos negativos eu prefiro ver o lado bom da coisa. E, em paralelo, trabalhar a aceitação e empoderamento sem atacar os produtos de maquiagem ou quem se maquia. 

Com isso em mente, podemos voltar a pensar nas princesas Disney seguindo uma “linha do tempo da princesas”. O texto ficou um pouco mais longo do que costumo postar aqui, mas porque dei uma recapitulada em todas as princesas pra destacar uns pontos, levando em consideração o que falei aqui em cima.


Na década de 30 A Branca de Neve foi a primeira mulher protagonista de uma animação. O que é ótimo. A personagem, porém, era um verdadeiro espelho da mulher daquela época. Dona de casa, não tomava atitudes e esperava o príncipe para resolver os seus problemas. O que já não é tão legal assim, já que passava a imagem de mulher ideal. Como disse acima, era o reflexo das mulheres daquela época mas tendo um protagonismo antes não conhecido. 

Depois de A Branca de Neve, tivemos Cinderela e A Bela Adormecida entrando para o time das princesas - onde ainda representavam mulheres de suas épocas mas pouco a pouco evoluindo. A fraqueza de uma, não era vista nas outras. Depois das 3, o mundo começou a mudar e as mulheres deixaram de ser donas de casa apenas porque lhe mandavam, foram as ruas e a Disney precisaria acompanhar a mudança. 

Com toda essa mudança, conhecemos a Pequena Sereia, que tinha uma busca enorme por conhecimento, aventuras e um desejo de não ser reprimida mesmo que pelo pai. Um ponto que me incomoda bastante é resumir tudo isso em “uma princesa que largou tudo por um homem”. É legal também reforçar que a Pequena Sereia foi a primeira princesa a salvar o príncipe e não ao contrário. 

Com a Bela e a Fera já temos uma princesa que não sonha em casar mas sim em viajar e aprender, que recusa as investidas do príncipe e é independente. Para todos os casos eu tento entender os problemas apontados apontados pelas pessoas, e para Bela o maior problema talvez seja o fato de mostrar que a Fera pode mudar. Sabe aquela coisa que muitas de nós temos de achar que aquela pessoa vai melhorar? O inicio de tudo isso pode ter sido aqui. Mas invalidar a primeira princesa realmente independente por algo que podemos explicar melhor ao invés de levar um conto de fadas como a verdade da vida? 

Indo para Aladdin, temos a princesa firme que se recusa a baixar a cabeça para crenças da sua cultura, Jasmine é firme, sabe como dar ordens e também usar seu corpo da forma que quer. 

Seguindo a linha do tempo das princesas, o próximo conto a ser lançado foi Pocahontas. Seguindo o esquema das princesas rebeldes que desobedecem ordens (em sua maioria machistas), ela se recusa a casar com um homem que escolheram pra ela e, pela primeira vez nas histórias Disney, também não termina com o príncipe da história - mostrando que as mulheres não precisam terminar sempre com homens. 

No final dos anos 90, temos Mulan que não é uma princesa realmente na história mas se enquadra dentro do grupo "Princesas Disney" e que já começa a ser vista como algo "menos pior" até para os críticos: ela é corajosa, batalhadora e começa a discussão sobre desconstrução de gêneros, quando decide ir pra guerra pra salvar sua família - coisa que apenas homens faziam. 

Da pra comprar roupa com a estampa na loja Toda Frida <3

Em A Princesa e o Sapo temos a primeira princesa negra. Em uma história mais próxima da realidade, que se passa na cidade e não em um reino distante, Tiana é extremamente realista, trabalhadora e tem o sonho de abrir o próprio restaurante. Ela acaba sim se casando com um príncipe, mas continua trabalhando e se sustentando. 

Já no filme Enrolados, temos a história da Rapunzel que quer mais pra sua vida e que acaba derrotando a vilã do filme, que bem ou mal era sua mãe, praticamente sozinha. A personagem amadurece durante a história e aprende seu valor. 

Em Valente, temos o primeiro filme com foco na relação entre mãe e filha e não em um romance. Merida é obrigada a se portar como uma princesa, mas é claro, também é contra tudo isso e o principal: não quer ser uma princesa. A busca de Merida é pra se conhecer e não por um grande amor. 

Já no último lançamento, Frozen mostra a relação de irmãos. Temos Elsa, a princesa poderosa que não necessita de um par romântico para se empoderar, e a princesa Anna, que apesar de mais inocente e sonhadora, encontra um romance real, não com o príncipe (que na verdade é do mal), mas com o cara comum que está ao seu lado. Apesar do romance de Anna, o filme foca totalmente no amor verdadeiro que, aqui, é o amor entre irmãs. 

Os tempos mudaram, as mulheres mudaram e as princesas da Disney, também. Os filmes Disney tem sim seus baixos, como disse lá no começo: ainda vivemos em um mundo construído e machista e ainda assim, as histórias mostram princesas baseadas na realidade atual de seus lançamentos.

Mas o resumo, pra mim, é que mesmo as princesas que retratam mulheres “belas, recatadas e do lar” em suas épocas de lançamento, todas tem o seu valor e sua mensagem. A maioria delas tem qualidades fortes, sejam culturais, rebeldias ou desejos internos, e príncipes secundários. 

Tentando não ser uma super defensora Disney e apenas analisar as histórias, acredito que cada uma tenha uma lição pra passar.
Acho, também, que trabalhar e incentivar nosso próprio senso crítico e também das crianças, com mensagens que pregam o amor e o carinho acima de tudo, parece um bom caminho pra mim.

 
Jéssica Bellisoni | Base por Michelly Melo .