Princesas Disney e o feminismo

15 novembro 2016 1 Comentário
Já falei muitas vezes o quanto sou apaixonada pela Disney e nos últimos anos, com o crescimento do feminismo e do empoderamento das mulheres comecei a ver muita coisa contra a Disney e especialmente contra suas princesas. Muitas vezes até vi comentários sobre garotas que gostam de heróis serem mais legais e duronas do que as que gostam de princesas. 

Na minha opinião, isso chega a ser uma forma de opressão diferente. Também acho esse um assunto tão mais profundo do que fazem parecer que nunca tinha escrito sobre por não saber bem como começar. Mas tenho dois pontos que quero levantar sobre a discussão: 
  1. Vivemos sim em uma sociedade construída e machista e mesmo quem busque se desconstruir, tudo a nossa volta está atolado de machismo. Um exemplo: a maquiagem veio pra, entre tantos motivos, esconder as imperfeições das mulheres e torna-las mais atraentes para os homens. Mas entre nós, mulheres dos dias atuais, não somos várias que amam se maquiar? Que se sentem bem dessa forma? Algo que veio do machismo mas que hoje ajuda a libertar: usa quem quer, como quer e onde quer. 
  2. Ver o lado bom das coisas pode ser melhor do que ver só o lado negativo. Ainda sobre a maquiagem: ela também pode ser um grande problema para os dias atuais porque muitas mulheres ainda se sentem escravas dos produtos. Usam, pra tentar entrar num padrão que nos é imposto e não porque realmente se sentem bem daquela forma. É uma via de mão dupla, como quase tudo na vida, e mesmo com seus pontos negativos eu prefiro ver o lado bom da coisa. E, em paralelo, trabalhar a aceitação e empoderamento sem atacar os produtos de maquiagem ou quem se maquia. 

Com isso em mente, podemos voltar a pensar nas princesas Disney seguindo uma “linha do tempo da princesas”. O texto ficou um pouco mais longo do que costumo postar aqui, mas porque dei uma recapitulada em todas as princesas pra destacar uns pontos, levando em consideração o que falei aqui em cima.


Na década de 30 A Branca de Neve foi a primeira mulher protagonista de uma animação. O que é ótimo. A personagem, porém, era um verdadeiro espelho da mulher daquela época. Dona de casa, não tomava atitudes e esperava o príncipe para resolver os seus problemas. O que já não é tão legal assim, já que passava a imagem de mulher ideal. Como disse acima, era o reflexo das mulheres daquela época mas tendo um protagonismo antes não conhecido. 

Depois de A Branca de Neve, tivemos Cinderela e A Bela Adormecida entrando para o time das princesas - onde ainda representavam mulheres de suas épocas mas pouco a pouco evoluindo. A fraqueza de uma, não era vista nas outras. Depois das 3, o mundo começou a mudar e as mulheres deixaram de ser donas de casa apenas porque lhe mandavam, foram as ruas e a Disney precisaria acompanhar a mudança. 

Com toda essa mudança, conhecemos a Pequena Sereia, que tinha uma busca enorme por conhecimento, aventuras e um desejo de não ser reprimida mesmo que pelo pai. Um ponto que me incomoda bastante é resumir tudo isso em “uma princesa que largou tudo por um homem”. É legal também reforçar que a Pequena Sereia foi a primeira princesa a salvar o príncipe e não ao contrário. 

Com a Bela e a Fera já temos uma princesa que não sonha em casar mas sim em viajar e aprender, que recusa as investidas do príncipe e é independente. Para todos os casos eu tento entender os problemas apontados apontados pelas pessoas, e para Bela o maior problema talvez seja o fato de mostrar que a Fera pode mudar. Sabe aquela coisa que muitas de nós temos de achar que aquela pessoa vai melhorar? O inicio de tudo isso pode ter sido aqui. Mas invalidar a primeira princesa realmente independente por algo que podemos explicar melhor ao invés de levar um conto de fadas como a verdade da vida? 

Indo para Aladdin, temos a princesa firme que se recusa a baixar a cabeça para crenças da sua cultura, Jasmine é firme, sabe como dar ordens e também usar seu corpo da forma que quer. 

Seguindo a linha do tempo das princesas, o próximo conto a ser lançado foi Pocahontas. Seguindo o esquema das princesas rebeldes que desobedecem ordens (em sua maioria machistas), ela se recusa a casar com um homem que escolheram pra ela e, pela primeira vez nas histórias Disney, também não termina com o príncipe da história - mostrando que as mulheres não precisam terminar sempre com homens. 

No final dos anos 90, temos Mulan que não é uma princesa realmente na história mas se enquadra dentro do grupo "Princesas Disney" e que já começa a ser vista como algo "menos pior" até para os críticos: ela é corajosa, batalhadora e começa a discussão sobre desconstrução de gêneros, quando decide ir pra guerra pra salvar sua família - coisa que apenas homens faziam. 

Da pra comprar roupa com a estampa na loja Toda Frida <3

Em A Princesa e o Sapo temos a primeira princesa negra. Em uma história mais próxima da realidade, que se passa na cidade e não em um reino distante, Tiana é extremamente realista, trabalhadora e tem o sonho de abrir o próprio restaurante. Ela acaba sim se casando com um príncipe, mas continua trabalhando e se sustentando. 

Já no filme Enrolados, temos a história da Rapunzel que quer mais pra sua vida e que acaba derrotando a vilã do filme, que bem ou mal era sua mãe, praticamente sozinha. A personagem amadurece durante a história e aprende seu valor. 

Em Valente, temos o primeiro filme com foco na relação entre mãe e filha e não em um romance. Merida é obrigada a se portar como uma princesa, mas é claro, também é contra tudo isso e o principal: não quer ser uma princesa. A busca de Merida é pra se conhecer e não por um grande amor. 

Já no último lançamento, Frozen mostra a relação de irmãos. Temos Elsa, a princesa poderosa que não necessita de um par romântico para se empoderar, e a princesa Anna, que apesar de mais inocente e sonhadora, encontra um romance real, não com o príncipe (que na verdade é do mal), mas com o cara comum que está ao seu lado. Apesar do romance de Anna, o filme foca totalmente no amor verdadeiro que, aqui, é o amor entre irmãs. 

Os tempos mudaram, as mulheres mudaram e as princesas da Disney, também. Os filmes Disney tem sim seus baixos, como disse lá no começo: ainda vivemos em um mundo construído e machista e ainda assim, as histórias mostram princesas baseadas na realidade atual de seus lançamentos.

Mas o resumo, pra mim, é que mesmo as princesas que retratam mulheres “belas, recatadas e do lar” em suas épocas de lançamento, todas tem o seu valor e sua mensagem. A maioria delas tem qualidades fortes, sejam culturais, rebeldias ou desejos internos, e príncipes secundários. 

Tentando não ser uma super defensora Disney e apenas analisar as histórias, acredito que cada uma tenha uma lição pra passar.
Acho, também, que trabalhar e incentivar nosso próprio senso crítico e também das crianças, com mensagens que pregam o amor e o carinho acima de tudo, parece um bom caminho pra mim.

A verdade nos clichês

09 novembro 2016 Nenhum comentário
Como sai de férias, fiquei vários dias sem ler 365 dias do ano - Staying Strong, da Demi Lovato, e em uma noite que perdi o sono estava colocando as páginas em dia. Em um dos comentários da Demi, ela disse algo sobre a verdade em frases clichês. 
Sinceramente, agora não me lembro bem qual era a frase que ela estava comentando, porque esse comentário junto com minha (super recente) viagem pra Disney, que foi uma realização de um sonho que tinha desde bem nova, me fez entrar numa reflexão interna sobre sonhos, realidades, sofrimentos e conquistas. Então vim aqui escrever.

Nesse post falei um pouquinho sobre como é ser sensível e se abalar com acontecimentos alheios em um mundo com tanta coisa ruim acontecendo. Pensando nisso, lembrei de como aprendi a não menosprezar sofrimento nenhum e como isso vai diretamente de encontro com a minha visão (sonhadora, dizem alguns) de que as pessoas podem ser felizes caso se permitam.

Alguns pensam ser contraditório eu dizer que sinto empatia com as pessoas e seus problemas (sejam eles considerados grandes ou pequenos) e também acreditar nas tais "frases clichês".
Como dizer pra alguém que passa fome na rua que se acreditar em seus sonhos eles podem se realizar?
Como explicar pra alguém que sofreu um estupro que pessoas não são de todo mal?
Como mostrar pra alguém que está vendo sua família se despedaçar que a luz vem depois da escuridão?
Como colocar na cabeça de quem perdeu sua casa e seus pertences que a gratidão multiplica?


Confesso que não sei as respostas. Mas acho que o lance, pra nós que enxergamos a verdade nisso tudo, é exatamente tentar mostrar isso no dia-a-dia. Alguns vão achar loucura, falso, forçado ou simplesmente nos achar idiotas. Mas sabendo que todos esses clichês são verdadeiros, só nos cabe levar essa visão pro mundo. Sabe, tipo colorir um desenho preto e branco?

Não tenho a inocência de achar que isso vai mudar o mundo, ou recuperar todas as pessoas de seu sofrimento, até porque a crueldade e os problemas ainda estão por aí.

Mas eu já estive na escuridão e uma luz me trouxe pra cima. Uma luz que também me trouxe a maior tristeza que já senti na vida, mas que me abriu os olhos.

Por isso, acredito de verdade que devemos tentar levar luz e amor pro nossos dias e pra quem está ao nosso redor. Porque isso é contagiante, e nunca se sabe quando vai ajudar a abrir os olhos de alguém que precisa também. :)

Sensibilidade

03 outubro 2016 1 Comentário
Eu sempre sofri um pouco por ser sensível demais. Sensitiva demais. Observadora demais.

Mas eu sempre tento falar o que penso, tento ser positiva e acreditar que as coisas podem melhorar. Todas as coisas. As vezes as pessoas até me dizem que discutir não adianta, que certas pessoas ou situações nunca vão mudar.

Mas sei lá, se a gente não tentar melhorar as coisas ao nosso redor, como vamos esperar que isso aconteça? E, pelo menos pra mim, viver com situações ruins e desumanas pensando que vai ser sempre assim não é uma opção.

Estava lendo um texto sobre mulheres de peixes - coisa que não costumo fazer. Sou pisciana e acho que não me encaixo mais em muitas das características do signo, mas esse texto especifico me chamou a atenção - que me fez pensar nesse jeito de ver as coisas: eu sempre vou tentar expor opiniões sobre coisas que podem fazer bem pro mundo porque acredito de verdade que as coisas  (e as pessoas, quem sabe) conseguem evoluir. E vou sempre me jogar de cabeça nisso.

É difícil enxergar tão a fundo toda a maldade que está no mundo e nas pessoas. Machuca, e as vezes bate um desespero. Mas cada notícia boa que vejo, me faz acreditar um pouquinho mais. Ainda existem pessoas boas por aí né? Pra cada pessoa ruim que esbarramos por aí, aparecem mais umas cinco pra nos ajudar e equilibrar as coisas.

Razões pra acreditar estão por aí... se soubermos olhar direitinho.

Pra dar um contexto pra quem leu até aqui, escrevi esse post depois de ver uma garota denunciando um perfil que fazia apologia a pedofilia no Facebook e estava sendo atacada por isso.


 
Jéssica Bellisoni | Base por Michelly Melo .